Entrevista com o artista plástico Marino Santa María

Street Art em versão portenha

No bairro Barracas, no sul da capital da Argentina, três quadras –onde está o Pasaje Lanín- para desfrutar da arte ao ar livre.

Pasaje Lanín

A casa de Santa Maria, onde tudo começou, fica na Rua Lanín Nro. 33.

Grafites, estênceis, murais e várias intervenções confeccionadas com materiais diversos, desde pintura até fios de seda, convertem a street art (a arte urbana), em uma das experiências artísticas contemporâneas de maior impulso na cidade de Buenos Aires. Inspirados em figuras como o britânico conhecido com o pseudônimo de Banksy, os artistas urbanos portenhos crescem em quantidade e em prestígio, colocando assim a capital da Argentina em um lugar privilegiado entre as cidades do mundo que melhor expressam o atual fervor pela antiga street art. Provas disso são os tours grafiteiros que se realizam durante os fins de semana pelos bairros de Palermo, Belgrano, Colegiales, Barracas e San Telmo (bairros onde é possível vislumbrar mais intervenção, apesar de que não são os únicos); as amostras que se alternam entre o Palácio Nacional das Artes (outrora Palais de Glace) e o Centro Cultural Recoleta; e o nível alcançado, e reconhecido internacionalmente, por artistas como Alfredo Segatori, Lean Frizzera, Martín Ron e Alfredo Genovese.

Porém, a pouco mais de uma década, antes do recente – e crescente- interesse pela intervenção artística do espaço público (paredes, calçadas e até árvores), quando nos muros do sul da cidade de Buenos Aires predominava apenas a cor cinza – com o célebre Caminito do bairro La Boca como exceção quase única–, houve um artista plástico que imaginou dotar de formas abstratas e cores contrastantes as fachadas das casas da rua em que nasceu: Marino Santa María, portenho formado nas escolas de Arte “Manuel Belgrano” e “Prilidiano Pueyrredón”, Reitor da Escola Nacional de Belas Artes “Prilidiano Pueyrredón” durante o período 1992-1998, modificou definitivamente o aspecto do Pasaje Lanín, no bairro de Barracas, no início do século XXI, transformando-o em um espaço de arte público ao ar livre. “Há muito tempo eu precisava de uma forma de comunicação diferente com o público. No meu estúdio, eu sempre trabalhei com as janelas abertas. Os vizinhos que passavam começavam a conversar comigo e a espiar o que eu estava pintando. A partir daí, fui estabelecendo uma forma de trabalho muito diferente à utilizada pelo artista que cria fechado em seu atelier, com música de fundo”, conta Santa María.

Lanín 68

A experiência de Santa María no universo da street art começou quando ele pintou a fachada de su atelier, para logo estender-se às casas das redondezas e, finalmente, e a pedido dos próprios vizinhos, intervir a maioria das restantes ao longo das três quadras do Pasaje Lanín. “Eu pensei em trabalhar a partir da abstração e não com temas que, supostamente, formam parte da tradição de Barracas, como os operários ou o tango”, afirma Marino, que inaugurou o projeto em 19 de abril de 2001, com uma grande festa de rua, na qual participaram artistas e também vizinhos. “Para mim, Barracas é o que Casapueblo representou para Páez Vilaró”, confessa o artista, cujo compromisso afetivo com o bairro está representado em suas obras expostas na Ex Casa Cuna, a fachada do Hospital Britânico ou a amostra Memorias del Sur na Fábrica Cassaforma, entre outras.

Lanín 11

Desde 2005, a obra urbana de Santa María inclui a incorporação de mosaico veneziano e azulejo com a técnica do trencadís (que é como em catalã se denomina a técnica do ‘quebrado’, a mesma que apresentam em Barcelona muitas das obra de Gaudí, como o Parque Güell). E hoje, abriga novos projetos, como o poder dar continuidade à galeria a ceu aberto que se estende ao longo do paredão da ferrovia, ali onde se estende, com ar de rio, a parte sul de Buenos Aires.

Mais inf.: www.marinosantamaria.com; marinosantamaria@hotmail.com

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