Buenos Aires em código de milonga

Patrimônio Cultural da Humanidade; filho da fusão de usos e costumes, de ritmos e identidades, de realidades e sonhos de imigrantes europeus, de descendentes de escravos africanos e de criollos, o tango é o símbolo por excelência do Rio da Prata.

Se perguntarmos a qualquer portenho qual é a imagem mais representativa de Buenos Aires, sem dúvida primeira resposta seria a de um casal dançando tango sobre uma rua empedrada ao pé do Obelisco ou com o Riachuelo de fundo. Uma imagem que encarna “o portenho” de tal maneira que pode até se tornar um clichê. Porém, o tango em Buenos Aires é muito mais que isso: é um ritmo, uma dança, um falar, uma cultura, e principalmente, uma paixão. Um sentimento que se dança, dizem os que sabem.

Em Buenos Aires, capital da Argentina, o tango reina nas milongas, esses encraves da noite, onde se encontram os solitários, se refugiam os desnorteados e onde, também existem que se apaixonam em segredo. Ali se misturam todos: os mais bonitos e os que não foram tão favorecidos, os atrevidos e os tímidos, os jovens e os mais velhos, os homens e as mulheres; os “de casa” e os visitantes. Nestas típicas salas de baile não  há discriminação : o único que verdadeiramente importa é dançar.

Dançar tango é desenhar no chão o que cada um sente. Não precisa ser perfeito, e a técnica, afinal de contas, e apesar da questão estar muito discutida, não adianta muito. O melhor tango provém da improvisação. E se aprende, irremediável e afortunadamente dançando. O mais difícil do tango é fazer com que seja fácil. Saber fazer alguns “adornitos” (enfeites), não implica necessariamente dançar bem. Por outra parte, fazendo o passo que todo o mundo faz, fica difícil obter uma personalidade. E para dançar bem o tango é preciso ter personalidade. Ser nós mesmos. Por isso, é necessário senti-lo e demostrar o que se está sentindo. É muito diferente de dançar para os outros. No tango, a dança é uma dança “para si mesmo”. E sempre é possível aprender uma coisa nova.

A primeira coisa a fazer para dançar bem o tango é apaixonar-se pela música que envolve as pistas. Abandonar-se ao influxo das grandes orquestras de Aníbal Troilo, Juan D’Arienzo e Osvaldo Pugliese.

O tango é uma dança muito apaixonada. Trata-se em princípio, do homem e da mulher. Do eterno ritual da singularidade e o complemento entre o feminino e o masculino. É um dos poucos bailes que permite que o homem e a mulher se abracem. O homem não deve se esquecer nunca de que, no baile, é muito importante cuidar da mulher, protegê-la.  A mulher é um diamante que só deve ser acariciado, para que possa acompanhar ao homem em seus movimentos.

Nas milongas, existem certos códigos que não devem ser desconhecidos: não é possível tirar uma mulher que esteja acompanhada por um homem para dançar, a não ser que esse homem tenha ido para a pista com outra dama. O homem não pode se aproximar da mesa para convidá-la para dançar, devendo apenas fazer um gesto com a cabeça (“cabeceo”), e só quando ela aceitar, poderá ir a seu encontro. Na pista se dança em sentido anti-horário e o homem sempre deverá andar para a frente, sem tropeçar com os outros casais. Os que têm mais experiência dançam no borde da pista, e os principiantes no meio. Mesmo que existam casais que tenham uma relação sentimental, não devem realizar demonstrações durante o baile.  Enquanto se estiver dançando não deve se falar: é preciso aguardar a pausa entre um tango e outro para conversar. A mulher deve esperar o abraço do homem, quem decide quando começar a dançar. Nas milongas, nada é tão surpreendente quanto a intrusão, o abandono de tudo quanto é externo, que flui dos corpos entrelaçados dos “milongueros” (dançarinos), quando a música finalmente toma posse deles.

O tango é também elegância, por isso, o vestuário é uma questão essencial a considerar: os melhores dançarinos coincidem em que é preciso usar terno. E isso não por uma questão formal, mas porque sem o terno, concedem-se muitas vantagens. Pois o corpo do homem se deforma quando não usa paletó. É claro que existem aqueles capazes de desafiar esta norma, sendo capazes de realizar movimentos incríveis com qualquer vestimenta. No caso das damas, e apesar de que também seja possível dançar com calça comprida, a regra não escrita diz que para dançar tango é necessário usar saia e sapato de salto alto.

De uma ou outra forma, a verdade é que nos grandes salões e clubes sociais, em cantos quase secretos e até nos porões de vários filmes, o tango reina em Buenos Aires. Porque se existir uma geografia para esta autêntica cultura, não será outra que a das ruas e dos bairros portenhos. E isso porque a capital argentina representa a face mais tangueira do tango. E mesmo que às vezes pareça ausente e ainda que permaneça oculto, em Buenos Aires o tango sempre reina, impregnando tudo.

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